Ontem, na última jornada do campeonato nacional, garantimos a manutenção na 1ª divisão de hóquei patins, de forma épica. Estes rapazes merecem todos os nossos elogios e reconhecimento. Envergam a camisola do Sporting Clube de Portugal, e, só por isso, são os jogadores que defendo como os melhores. Atendendo às circunstâncias e a todos os condicionalismos, a manutenção alcançada é digno de aplauso de pé e sem chapéu na cabeça. Bravo rapazes, muitos parabéns!!!
Apesar da longa hibernação desta modalidade, o Sporting continua a ser uma grande referência mundial ao nível do hóquei patins. O hóquei acabou no Sporting já há algum tempo. Na altura, surgiu no clube, um presidente iluminado pela (sua) razão, e decidiu acabar com algumas modalidades. Disseram então, mais coisa menos coisa, em face da crise financeira do clube, acabavam com aquelas modalidades para apostar no futebol.... E, nós acreditamos e aceitamos e resignamos e... foi o que se viu...
Esta secção autónoma de hóquei patins, surgiu porque um grupo de grandes Sportinguistas, queriam repor no clube, uma modalidade que nunca devia ter deixado de existir. Esta secção apesar de usar o nome Sporting e ser reconhecida pelo clube, não teve nenhum apoio financeiro do clube. E, mesmo assim, subiu a pulso no hóquei nacional, com subida atrás de subida, de forma fantástica e gloriosa. Enchendo a alma Sportinguista de orgulho pelo regresso à 1ª Divisão.
E é aqui, que todos temos temos de parar e reflectir sobre o seguinte:
- O Sporting nasceu (um dia) para ser um clube vencedor, ponto. (Se alguém tem dúvidas sobre isso, escusa de continuar a ler),
- Em qualquer modalidade, quem enverga aquela camisola, tem de lutar por ser campeão,
- Não podemos aceitar um Sporting em 7.º lugar no futebol, assim como, não podemos aceitar que o Sporting, seja em que modalidade for, entre para qualquer competição, para lutar pela... manutenção,
- Quando deixarmos de ser exigentes e aceitarmos com naturalidade que o objectivo do clube é lutar pela manutenção ou lutar por ir à Europa, estamos a envergonhar os nossos fundadores,
- Há dias, fez anos que o eterno e saudoso Livramento nos deixou. De certeza que para ele seria inimaginável que um dia, o hóquei do Sporting, entraria num campeonato para lutar pela permanência,
- Atenção, volto a frisar que os "carolas" desta secção autónoma merecem todos os nossos elogios e apoio, o erro, ou se quisermos, a falha de visão esteve nos dirigentes do Sporting Clube de Portugal.
- Na altura em que esta secção subiu à 1ª Divisão, a modalidade deveria de imediato ser chamada à "casa mãe", e, com apoio financeiro do clube, fazer uma equipa que honrasse os nossos pergaminhos no campeonato. Bastava que contratassem 3 ou 4 mais valias (como fizeram agora com o Ricardo Figueira) e que tivessem feito um pequeno esforço financeiro para manter o grande goleador, produto das nossas escolas, Gonçalo Alves. Ele, foi para a Oliveirense, já joga pela equipa principal de Portugal, marcou o golo decisivo no torneio das Nações, foi o melhor marcador do campeonato nacional na época de estreia e... não ficou no Sporting porque... a Oliveirense teve mais argumentos financeiros que nós... Não tarda, será um dos melhores hoquistas nacionais e, mais um fruto das nossas escolas, a alimentar de títulos as vitrinas do fcp ou no slb...
Será esta a nossa sina? Eu respondo com um veemente: NÃO!!!
É por isso que quando começo a ler por ai, que não podemos ter o jogador A nem o B porque "estamos em crise", a "política financeira" do clube não permite ter o jogador C, temos de nos contentar com os jogadores X, Y e Z, começo a ficar preocupado. Não se pode deixar de ser exigente, apenas porque mudaram... as pessoas. Essa "política de austeridade" e de "cortes cegos" não nos vai levar a lado nenhum. Os cortes nas "gorduras" são imprescindíveis, no entanto, "cortar carne" e "amputar membros" vai nos levar a piorar a nossa situação, ficamos sem condições para poder reerguer o clube. Este caminho, é um não caminho.
O presidente já mostrou que é forte no "bate-boca". Não é muito, é alguma coisa onde melhoramos. Para poder fazer o seu caminho, necessita de uma equipa que lhe dê resultados. Abrir várias frentes de guerra é um grande atrevimento e um acto com um misto de coragem e loucura. O presidente, terá de fora das quatros linhas soldados (adeptos) prontos a ir com ele para as várias frentes de batalha. No entanto, depende dele, colocar dentro das quatro linhas, guerreiros qualificados que possam ombrear com os especialistas dos directos rivais. Não é fácil? Claro que não!!! Mas ocupar a cadeira de presidente de um grande clube como o Sporting também não é para qualquer um. Tem de ser gente capaz, competente, imaginativa e que busque soluções que vão para além de... cortar, cortar, cortar...
PS. Para começar, era bom que aparecessem os 20 milhões prometidos para o dia seguinte às eleições.